6 de mai de 2007

UM GOSTO DE SUNDAE - CONTO

Desta vez tentei fazer algo levemente inspirado em Lovecraft (de quem eu sou fã assumido). Antes que algum outro fã de plantão me crucifique pela grafia da entidade, pretensão à parte, escrevi como acho que é a pronúncia(muito difícil por sinal)... Boa leitura...


UM GOSTO DE SUNDAE

- Tudo tem gosto de sundae de ovomaltive... Hehehe... Ouviram? Ovomaltine... - estes gritos desconexos já estavam durando horas, devido a isso chamaram Dr. Jorge, chefe da ala psiquiátrica do Hospital São Matheus. A primeira coisa que percebeu ao chegar foi os 2 funcionários estarem na frente da porta, sem entretanto entrarem no quarto para acalmar o paciente. Robson e Rinaldo eram seus nomes, “Deveriam demitir quem colocou esses 2 imbecis juntos no mesmo plantão.”, pensou bocejando, eram 2 horas e ele detestava ser acordado no meio da noite, por isso havia escolhido essa especialização.
- Posso saber o motivo para os dois palhaços não terem entrado ainda? – grosso como de costume. – Meu Deus, este paciente só tem doze anos...

- Desculpe doutor, eu nunca vi nada igual... - quem interrompeu a sua reclamação foi Robson, o estagiário, este Jorge achava que só havia feito curso de enfermagem por falta de opção.

- É mesmo. Ele ta falando umas coisas estranhas tipo “ketchup e xoxota”, é muito louco para um menino. Minha mãe falou de uns negócios desses. Possessão, saca? Ela é evangélica e entende dessas coisas. – Falou Rinaldo, se desculpando com o gesto peculiar de colocar as duas mãos na frente do corpo. Isso enervou Jorge mais ainda.

- Já deram o calmante para ele? – perguntou, deixando pra lá os termos médicos, queria muito fazer este paciente calar a boca e voltar pra cama. Depois voltaria para casa e dormiria pelo resto da madrugada.

- Ae galera, ele está vindo... Iog sotote está chegando... Tudo tem gosto de sundae de ovomaltine... Jorgeeee, eles cortarão a sua cabeça e a espetarão com o cabo da vassoura que está no depósito, a mesma vassoura que enfiarão em você antes disso... Você vai gostar... Heheheh... Grande deus geléia... iog sotote... – Essas últimas frases fizeram o médico olhar com ódio para os dois enfermeiros.

- Que porra é essa? Seus bostinhas...

- Doutor, juro que não falamos isso. É por isso que o chamamos. Ele sabe os nossos nomes e falou coisas horríveis sobre mim e o Naldo.- Robson se antecipou às conclusões do médico.- Esse moleque falou que eu transaria com o Naldo e depois iríamos para a minha casa matar a minha mulher. E doutor... Ele nos chamou pelos nomes... Naldo está certo, só pode ser o demo! Ele não sabe nossos nomes e muito menos que a minha esposa é a Nancy. E ele falou até no nome dela...- falou Robson de forma preocupada quase desorientada.

- Idiotas, ele esteve sedado por quase 2 anos, tudo o que é conversado perto dele fica gravado no subconsciente.-foi a vez de Jorge o cortar, depois continuou:

- Depois falamos sobre isso, me de o sedativo que eu mesmo aplico, Jesus, eu quero ir pra casa... - enquanto falava tomou de forma brusca a seringa do enfermeiro. Pegou a chave e abriu a porta.

O garoto havia se cortado e escrito coisas na parede, usando os dedos e o próprio sangue. Pouco sangue, era verdade, mas depois que o garoto adormecesse teriam que fazer alguns curativos Ele nunca havia sido preso à cama, era pequeno e de nada adiantaria. – Calma Fernandinho, sou eu o Tio Jorge. - falou de forma calma enquanto olhava para as paredes e se dirigia ao garoto que estava gritando no canto do quarto, “Yog Sothoth, que porra é essa? Esse moleque nunca havia falado nisso antes. E essas equações matemáticas?”. Jorge sempre detestara exatas e nunca entendera bem matemática, mas seu conhecimento, com certeza, era maior que a de um menino de 12 anos que estava internado num hospital há quase 3 . E para ele nada daquilo fazia sentido.

Ao chegar ao garoto tocou nos seus ombros para que ele se acalmasse. Isso fez com que se calasse, por pouco tempo. Como estava sem paciência aplicou o sedativo de forma grosseira na bunda de Fernando. Este se calou e olhou para ele, sem expressão alguma nos olhos. Demoraria uns 5 minutos pra fazer efeito, dado o peso dele.

- Doutor!- falou Fernando quando se virou ao perceber a agulhada... – Ele está chegando. Tudo vai ficar com gosto de sundae de ovomaltine do Bob’s. Doutor, ainda existe o Bob’s?

Jorge fez que sim com a cabeça, mesmo não entendendo o que o garoto falara. O menino estava internado já há 3 anos devido aos surtos psicóticos. Nas sessões ele nunca citara essa lanchonete. Era bom e mal. Bom pelo fato dele ter aberto outra brecha pro seu inconsciente, mas, por outro lado, se isso tivesse importância real eles teriam que começar tudo novamente. Fazia meses que sua família não vinha o visitar. Jorge havia adquirido um vínculo quase que paternal pelo garoto. - Venha comigo Fê. – finalmente falou, levando-o para a cama pelos ombros. “Já que estou aqui, posso aproveitar e adiantar a análise da semana com ele. O calmante ministrado pode ajudar. Ele daqui a pouco apaga e nesse meio tempo posso adiantar algo da próxima sessão.”, pensou.

Ele levou o garoto para a cama e o cobriu docilmente, sob os olhares ainda estranhos dos enfermeiros. – Ta tudo bem aqui seus covardes, podem ir embora. – falou rispidamente.

- Não senhor , vá que o moleque cause mais problemas. Eu combinei com o Robson, ele faz o plantão e eu espero aqui do lado de fora pelo senhor. - Foi a resposta que recebeu.

Jorge não prestou muita atenção nessa resposta, o que o interessava eram esse 3 minutos restantes com Fernando. Ele teria que ser hábil para aproveitá-los. Após deitar o garoto correu para o corredor e pegou um banco, sem mesmo falar com o enfermeiro. Voltou e sentou-se ao lado da cama. Olhos para os olhos do menino, vidrados como o esperado, e começou a entrevista.

- Você nunca me falou que gostava de sundae. Desde quando você gosta? – perguntou o doutor tentando ser prático e rápido.

- Doutor, eu não sabia que gostava, até que cheguei, me lembrei do amanhã. Lembranças novas junto com as velhas.Lula regente do mercosul, meu casamento em 2021, a formatura em física e o maldito acelerador... Tudo isso junto da formatura do primário e minha primeira bicicleta... Muita coisa, Iog Sotote fez isso... O gosto de sundae de ovomaltine não para nunca, só ele é eterno... – Fernando começou a falar de forma rápida e sem sentido algum para o médico. Jorge tinha que fazer valer esses 2 minutos então falou calmamente.

- Olhe filho, conte o que tem para contar que eu ouvirei, mas você tem que fazer com que eu entenda, ouviu? Fale mais devagar e pausadamente, comece pelo começo. Fale do acelerador do carro...

- Que acelerador do carro? – pelo efeito dos remédios o garoto havia se acalmado, começara a falar pausadamente, meio que grogue. – Acelerador de partículas, iria ser o primeiro brasileiro, eu o havia projetado. Não imaginava o que poderia acontecer.

Jorge teve vontade de interromper, mas achou melhor ouvi-lo falar.

- Ele apareceu doutor, você parece ser uma boa pessoa. Pelo menos nas vezes anteriores eu sempre senti por você. Eu estou quase dormindo, isso quer dizer que ele está chegando. – o menino pareceu muito mais velho do que sua idade permitia.

- Ligamos o aparelho e o puxamos sem querer, o grande deus geléia, eu acho que ele era seu universo todo. Uma consciência sem mãos ou corpo. Ele adorou nossa realidade. Sentiu coisas novas. Nunca sentira nada igual antes nos seus incontáveis milênios de existência. Entrou na cabeça de todo mundo e começou a sentir sensações. Dor, prazer, todas ela ao mesmo tempo. Doutor, ele liberou todos os desejos e vontades reprimidas. Só para sentí-las. Toda a humanidade sem freios morais, gente se flagelando, gente transando de forma desordenada. Filha com pai, com mãe, com o cachorro, morte. Todo mundo matando quem tinha vontade, das formas mais bizarras. -Isso é Iog sotote. Em troca ele dá a sensação mais prazerosa que ele encontrou, gosto de sundae de ovomaltine. Doutor, ele vivia em outra dimensão, o tempo pra ele é só um detalhe. Quando só havia eu na minha realidade ele me mandou para o passado anunciar a sua chegada. Quando durmo ele chega... Dia após dia desde 2032. Todas as milhares de vezes que acordei eu sabia que ele viria logo atrás. Todo o planeta, em todos os dias desde 6 de agosto de 2032 para trás, virou um grande parque para uma criatura extra dimensional. Gostaria de saber o que acontecerá comigo quando eu for tão pequeno que não puder mais falar... - a voz estava ficando baixa, ele estava quase dormindo.

-... Tudo bem, fique tranqüilo doutor... O senhor vai entrar na onda... No final tudo tem gosto de sundae de ovomaltine... – ao falar isso o garoto adormeceu. O moleque havia ficado pior, mas nada que não pudesse ser resolvido.

Ao se levantar sentiu um gosto achocolatado na boca, ”Esquisito, deve ser sugestão.”, pensou. De repente ouviu.

- Doutooor... Você já conhece o senhor vassoura? O senhor vai adorar... -era a voz de Rinaldo do lado de fora do quarto quase chegando à porta.

Essa mesma voz o fez gelar.

FIM



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6 de mai de 2007

UM GOSTO DE SUNDAE - CONTO

Desta vez tentei fazer algo levemente inspirado em Lovecraft (de quem eu sou fã assumido). Antes que algum outro fã de plantão me crucifique pela grafia da entidade, pretensão à parte, escrevi como acho que é a pronúncia(muito difícil por sinal)... Boa leitura...


UM GOSTO DE SUNDAE

- Tudo tem gosto de sundae de ovomaltive... Hehehe... Ouviram? Ovomaltine... - estes gritos desconexos já estavam durando horas, devido a isso chamaram Dr. Jorge, chefe da ala psiquiátrica do Hospital São Matheus. A primeira coisa que percebeu ao chegar foi os 2 funcionários estarem na frente da porta, sem entretanto entrarem no quarto para acalmar o paciente. Robson e Rinaldo eram seus nomes, “Deveriam demitir quem colocou esses 2 imbecis juntos no mesmo plantão.”, pensou bocejando, eram 2 horas e ele detestava ser acordado no meio da noite, por isso havia escolhido essa especialização.
- Posso saber o motivo para os dois palhaços não terem entrado ainda? – grosso como de costume. – Meu Deus, este paciente só tem doze anos...

- Desculpe doutor, eu nunca vi nada igual... - quem interrompeu a sua reclamação foi Robson, o estagiário, este Jorge achava que só havia feito curso de enfermagem por falta de opção.

- É mesmo. Ele ta falando umas coisas estranhas tipo “ketchup e xoxota”, é muito louco para um menino. Minha mãe falou de uns negócios desses. Possessão, saca? Ela é evangélica e entende dessas coisas. – Falou Rinaldo, se desculpando com o gesto peculiar de colocar as duas mãos na frente do corpo. Isso enervou Jorge mais ainda.

- Já deram o calmante para ele? – perguntou, deixando pra lá os termos médicos, queria muito fazer este paciente calar a boca e voltar pra cama. Depois voltaria para casa e dormiria pelo resto da madrugada.

- Ae galera, ele está vindo... Iog sotote está chegando... Tudo tem gosto de sundae de ovomaltine... Jorgeeee, eles cortarão a sua cabeça e a espetarão com o cabo da vassoura que está no depósito, a mesma vassoura que enfiarão em você antes disso... Você vai gostar... Heheheh... Grande deus geléia... iog sotote... – Essas últimas frases fizeram o médico olhar com ódio para os dois enfermeiros.

- Que porra é essa? Seus bostinhas...

- Doutor, juro que não falamos isso. É por isso que o chamamos. Ele sabe os nossos nomes e falou coisas horríveis sobre mim e o Naldo.- Robson se antecipou às conclusões do médico.- Esse moleque falou que eu transaria com o Naldo e depois iríamos para a minha casa matar a minha mulher. E doutor... Ele nos chamou pelos nomes... Naldo está certo, só pode ser o demo! Ele não sabe nossos nomes e muito menos que a minha esposa é a Nancy. E ele falou até no nome dela...- falou Robson de forma preocupada quase desorientada.

- Idiotas, ele esteve sedado por quase 2 anos, tudo o que é conversado perto dele fica gravado no subconsciente.-foi a vez de Jorge o cortar, depois continuou:

- Depois falamos sobre isso, me de o sedativo que eu mesmo aplico, Jesus, eu quero ir pra casa... - enquanto falava tomou de forma brusca a seringa do enfermeiro. Pegou a chave e abriu a porta.

O garoto havia se cortado e escrito coisas na parede, usando os dedos e o próprio sangue. Pouco sangue, era verdade, mas depois que o garoto adormecesse teriam que fazer alguns curativos Ele nunca havia sido preso à cama, era pequeno e de nada adiantaria. – Calma Fernandinho, sou eu o Tio Jorge. - falou de forma calma enquanto olhava para as paredes e se dirigia ao garoto que estava gritando no canto do quarto, “Yog Sothoth, que porra é essa? Esse moleque nunca havia falado nisso antes. E essas equações matemáticas?”. Jorge sempre detestara exatas e nunca entendera bem matemática, mas seu conhecimento, com certeza, era maior que a de um menino de 12 anos que estava internado num hospital há quase 3 . E para ele nada daquilo fazia sentido.

Ao chegar ao garoto tocou nos seus ombros para que ele se acalmasse. Isso fez com que se calasse, por pouco tempo. Como estava sem paciência aplicou o sedativo de forma grosseira na bunda de Fernando. Este se calou e olhou para ele, sem expressão alguma nos olhos. Demoraria uns 5 minutos pra fazer efeito, dado o peso dele.

- Doutor!- falou Fernando quando se virou ao perceber a agulhada... – Ele está chegando. Tudo vai ficar com gosto de sundae de ovomaltine do Bob’s. Doutor, ainda existe o Bob’s?

Jorge fez que sim com a cabeça, mesmo não entendendo o que o garoto falara. O menino estava internado já há 3 anos devido aos surtos psicóticos. Nas sessões ele nunca citara essa lanchonete. Era bom e mal. Bom pelo fato dele ter aberto outra brecha pro seu inconsciente, mas, por outro lado, se isso tivesse importância real eles teriam que começar tudo novamente. Fazia meses que sua família não vinha o visitar. Jorge havia adquirido um vínculo quase que paternal pelo garoto. - Venha comigo Fê. – finalmente falou, levando-o para a cama pelos ombros. “Já que estou aqui, posso aproveitar e adiantar a análise da semana com ele. O calmante ministrado pode ajudar. Ele daqui a pouco apaga e nesse meio tempo posso adiantar algo da próxima sessão.”, pensou.

Ele levou o garoto para a cama e o cobriu docilmente, sob os olhares ainda estranhos dos enfermeiros. – Ta tudo bem aqui seus covardes, podem ir embora. – falou rispidamente.

- Não senhor , vá que o moleque cause mais problemas. Eu combinei com o Robson, ele faz o plantão e eu espero aqui do lado de fora pelo senhor. - Foi a resposta que recebeu.

Jorge não prestou muita atenção nessa resposta, o que o interessava eram esse 3 minutos restantes com Fernando. Ele teria que ser hábil para aproveitá-los. Após deitar o garoto correu para o corredor e pegou um banco, sem mesmo falar com o enfermeiro. Voltou e sentou-se ao lado da cama. Olhos para os olhos do menino, vidrados como o esperado, e começou a entrevista.

- Você nunca me falou que gostava de sundae. Desde quando você gosta? – perguntou o doutor tentando ser prático e rápido.

- Doutor, eu não sabia que gostava, até que cheguei, me lembrei do amanhã. Lembranças novas junto com as velhas.Lula regente do mercosul, meu casamento em 2021, a formatura em física e o maldito acelerador... Tudo isso junto da formatura do primário e minha primeira bicicleta... Muita coisa, Iog Sotote fez isso... O gosto de sundae de ovomaltine não para nunca, só ele é eterno... – Fernando começou a falar de forma rápida e sem sentido algum para o médico. Jorge tinha que fazer valer esses 2 minutos então falou calmamente.

- Olhe filho, conte o que tem para contar que eu ouvirei, mas você tem que fazer com que eu entenda, ouviu? Fale mais devagar e pausadamente, comece pelo começo. Fale do acelerador do carro...

- Que acelerador do carro? – pelo efeito dos remédios o garoto havia se acalmado, começara a falar pausadamente, meio que grogue. – Acelerador de partículas, iria ser o primeiro brasileiro, eu o havia projetado. Não imaginava o que poderia acontecer.

Jorge teve vontade de interromper, mas achou melhor ouvi-lo falar.

- Ele apareceu doutor, você parece ser uma boa pessoa. Pelo menos nas vezes anteriores eu sempre senti por você. Eu estou quase dormindo, isso quer dizer que ele está chegando. – o menino pareceu muito mais velho do que sua idade permitia.

- Ligamos o aparelho e o puxamos sem querer, o grande deus geléia, eu acho que ele era seu universo todo. Uma consciência sem mãos ou corpo. Ele adorou nossa realidade. Sentiu coisas novas. Nunca sentira nada igual antes nos seus incontáveis milênios de existência. Entrou na cabeça de todo mundo e começou a sentir sensações. Dor, prazer, todas ela ao mesmo tempo. Doutor, ele liberou todos os desejos e vontades reprimidas. Só para sentí-las. Toda a humanidade sem freios morais, gente se flagelando, gente transando de forma desordenada. Filha com pai, com mãe, com o cachorro, morte. Todo mundo matando quem tinha vontade, das formas mais bizarras. -Isso é Iog sotote. Em troca ele dá a sensação mais prazerosa que ele encontrou, gosto de sundae de ovomaltine. Doutor, ele vivia em outra dimensão, o tempo pra ele é só um detalhe. Quando só havia eu na minha realidade ele me mandou para o passado anunciar a sua chegada. Quando durmo ele chega... Dia após dia desde 2032. Todas as milhares de vezes que acordei eu sabia que ele viria logo atrás. Todo o planeta, em todos os dias desde 6 de agosto de 2032 para trás, virou um grande parque para uma criatura extra dimensional. Gostaria de saber o que acontecerá comigo quando eu for tão pequeno que não puder mais falar... - a voz estava ficando baixa, ele estava quase dormindo.

-... Tudo bem, fique tranqüilo doutor... O senhor vai entrar na onda... No final tudo tem gosto de sundae de ovomaltine... – ao falar isso o garoto adormeceu. O moleque havia ficado pior, mas nada que não pudesse ser resolvido.

Ao se levantar sentiu um gosto achocolatado na boca, ”Esquisito, deve ser sugestão.”, pensou. De repente ouviu.

- Doutooor... Você já conhece o senhor vassoura? O senhor vai adorar... -era a voz de Rinaldo do lado de fora do quarto quase chegando à porta.

Essa mesma voz o fez gelar.

FIM



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