6 de abr de 2007

TEM CERTEZA? - CONTO

TEM CERTEZA?

PARIS – 11 DE NOVEMBRO DE 1906

Tarde da noite. O homem está revisando o que, aparentemente, é o aparelho mais importante da sua vida. Trabalhara nele durante meses de forma ininterrupta. Dia após dia e teste após teste, tudo lhe trouxera até este ponto. O teste final seria amanhã, na frente de todo mundo. Provaria a todos que o homem ganharia os céus. Voaria em sua máquina. O dinheiro do prêmio não importava. Todos aqueles que o chamaram de lunático por crer que um aparelho mais pesado que o ar pudesse levantar vôo iriam pagar. Ele os calaria e acabaria por rir em último lugar. Estava muito cansado, estivera na oficina desde quando acordara, e mesmo assim não estava com sono. Estava eufórico. Como conseguiria dormir com toda essa expectativa? Seria medo? Essas perguntas eram caladas assim que apareciam. Ele conseguiria e ninguém poderia impedir, nem seus inimigos que, sabia ele, tinham apostado grandes quantias no seu fracasso. Havia quem tivesse apostado até na sua morte, ficara sabendo para seu espanto. Mas tudo bem. Pegou uma garrafa de dentro do cofre e tomou um grande gole, como se festejasse por antecipação. Tornou a guardar a garrafa e voltou ao trabalho que havia interrompido.

Gastou mais meia hora averiguando pedaço por pedaço. Queria muito voar, mas não queria morrer. Tudo estava bem. Igualzinho ao projeto. Tirou o relógio do bolso e percebeu que já eram três da manhã. Os homens que contratara para vigiar a oficina já deveriam estar lá fora. Tirou o avental, vestiu o terno e pos seu chapéu. Antes de sair olhou para a sua criação pela última vez. Duvidava que os outros dois concorrentes conseguissem vencer essa maravilha da engenharia. Era lindo. O XIV Bis era seu orgulho. Saiu, fechando e trancando a porta atrás de si. Acenou para os três homens que estavam na frente da porta principal da oficina. O seu aparelho só conseguiria sair por ali. Lembrou que teria que passar na casa do relojoeiro para pegar a sua encomenda. Sorriu ao lembrar da cara do homem quando foi encomendado um relógio que pudesse ser fixado no pulso. Pensaria nisso depois. Agora iria para casa tentar dormir.

Após o homem fechar a porta uma figura vestida de preto saiu de trás de uma caixa e olhou em volta. Apesar de escuro ele estava enxergando muito bem graças as suas lentes para visão noturna bi polarizadas. Caminhou até o projeto que se encontrava em cima da mesa e, após tirar um aparelho de seu cinto, bateu uma foto. Em seguida fez alguns ajustes e apertou um botão. De repente uma imagem tridimensional da figura se formou na sua frente, nesta figura apareceram algumas marcas na cor vermelha. Elas eram seu alvo. Caminhou até o protótipo e tentou localizar os locais que estavam marcados na imagem que acabara de ver. Após localizar três destes pontos fez micro fissuras na superfície com seu pequeno laser, pequenos arranhões, quase invisíveis, que após serem expostas a grande tensão se romperiam. Com esses pequenos danos provocados esse aparelho poderia até decolar, mas cairia em seguida. Contente com o trabalho ele caminhou em direção a uma das paredes da oficina e começou a falar, aparentemente para ninguém.

- Trabalho concluído, podem me levar de volta, câmbio! - após falar esta frase, em voz baixa para não ser ouvido, começou a sentir sua pele formigar. Essa não era a sua primeira viagem, mas mesmo assim nunca se acostumara ao fluxo cronal. O formigamento foi aumentando até se tornar quase insuportável. Felizmente toda essa ação não durou mais que alguns segundos. Finalmente o homem, de forma quase mágica, desapareceu.

A oficina, durante alguns instantes, ficou completamente vazia.

Depois de alguns segundos após o desaparecimento do primeiro homem uma outra figura saiu de trás de outra caixa. Ela usava um traje parecido com o que o outro homem usava. Caminhou vagarosamente até a janela e pegou uma pequena caixa que havia deixado ali mais cedo. Apertou um pequeno botão e outra figura se formou a sua frente, desta vez era a gravação tridimensional de tudo que o primeiro homem havia feito. Prestou bastante atenção nas partes que ele havia alterado e, com o que parecia uma pequena caneta, começou a consertar as partes danificadas usando um tipo de adesivo em forma de gel transparente que se solidificava em contato com o ar. O reparo feito ficou invisível. "Talvez alguém com um microscópio e sabendo o que procurar achasse alguma coisa", pensou, "mas acho que aqui não tem nada disso". Deu um sorriso surpreso com o que acabara de pensar.

Não falou com ninguém como a primeira figura fizera, girou o botão que ficava na parte da frente de seu cinto e após um leve zumbido sumiu como o outro homem antes dele.

Nas semanas seguintes o mundo inteiro ficaria sabendo que um homem havia conseguido voar num aparelho com propulsão própria e mais pesado que o ar. Um brasileiro morador de Paris, chamado Alberto Santos Dumont.

PEARL HARBOR – 28 DE AGOSTO DE 2051

- Então, você acha que desta vez deu certo? – perguntou Paul, o homem que acabara de voltar do passado em uma outra tentativa de alterá-lo, falando com um dos outros trinta cientistas que trabalhavam atualmente no Projeto Kronos, o nome dele era Dr. Ortiz, responsável pelo projeto. Eles estavam num antigo porta aviões da marinha americana, aliás, todo o grande navio era uma grande máquina, uma gigantesca máquina do tempo. Todo o corpo de cientistas e engenheiros estavam lá, incomunicáveis há mais de três meses com o objetivo de provar que era possível alterar a história. Afinal eles haviam viajado e interagido com pessoas de épocas diferentes, no começo com zelo e depois de forma desleixada, de certa forma até irresponsável, percebendo que, por mais que se fizessem alterações elas não surtiam efeito na realidade. Para frustração de todos.

- Vamos ver. – respondeu Ortiz, depois completando. - Matematicamente é possível, aliás o impossível é não haver alterações. Vamos começar...

- Atenção, atualização cronal em T menos 10 segundos. – falou no microfone enquanto digitava alguns comandos no computador. - 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1... Zero. - continuou, de forma quase mecânica.

Um zumbido partiu dos geradores do barco, todos os tripulantes sentiram um leve formigamento que durou aproximadamente três segundos, era o tempo necessário para que a realidade fosse alterada pelas mudanças feitas no passado, pelo menos em teoria. Este local, protegido pela bolha temporal, permaneceria imutável para qualquer mudança. Após esse tempo o ruído dos geradores foi diminuindo aos poucos até que cessou por completo.

- Quer ter as honras? – perguntou Ortiz a Paul. Paul pegou o celular e fez uma ligação. Esperou um pouco até que o atenderam. Uma moça com uma voz bastante simpática.

- Alo! – falou de forma natural a moça assim que atendeu ao telefone.

- Oi, somos de KYB 190, a rádio do rock, você foi sorteada para a nossa promoção, responda a pergunta e ganhe um prêmio, isso mesmo, prêmio... Hum hum! Pronta? Quem voou pela primeira vez em um avião? – Havia feito isso antes muitas vezes, mesmo não dando certo anteriormente esta era a parte mais divertida.

- Tem certeza? Muito bem... - desligou o celular de forma brusca. Olhou para Ortiz, que já estava com a ansiedade estampada no rosto.

- E aí? Desta vez deu certo?- falou tão rápido que algumas gotas de baba voaram pela sua boca.

- Não, ainda é Santos Dumont.- após uma breve pausa continuou. – Olha, vamos desistir. Diremos aos militares que é impossível e... – Ortiz não deixou que ele completasse e continuou respondendo.

- É possível. As equações estão certas! – Continuou com a voz ainda mais alta – Temos a tecnologia e os cérebros, só precisamos de outra semana para descobrir onde estamos errando. Na próxima vez dará certo... Escute o que estou dizendo. Nos temos o poder para mudar o mundo. – Falou gritando, da mesma forma que falara nas vezes anteriores. Paul não falou mais nada, ele sabia que não adiantaria discutir.

FERNANDO DE NORONHA – 29 DE MAIO DE 2057

- Como foi? – Perguntou João ao recém chegado que aparecera quase que do nada, só seguido de um zumbido baixo que vinha do seu cinto.

- No que dependeu de mim Santos Dumont ainda é o "pai da aviação". Puta merda, esses caras não desistem?- Falou com nítido rancor.

- Olha. – Continuou João falando para Bruno, que agora já estava sem a mascara e se despindo do traje preto. – Está quase acabando. Historicamente eles tentam mais umas três vezes e desistem. Então o Sr. Abravanel usará parte da sua fortuna para comprar o equipamento destruído pelo Dr. Ortiz depois do acesso de loucura pelo fracasso. Nós reformaremos, corrigiremos algumas falhas e aprimoraremos o equipamento. Você sabe, estava lá. Foi sorte termos errado na primeira montagem e ele ter começado a mostrar passados que pensamos serem falsos. Você lembra de como descobrimos que o passado estava sendo alterado? – perguntou sorrindo.

- Claro, estava junto de você. - respondeu Bruno. - Nem percebíamos que nosso presente era diferente de como deveria ser. Então passamos a corrigir todas as alterações. Ainda bem que está acabando. Você disse mais três. Qual é a próxima? – Perguntou já se acostumando com a idéia de viajar novamente.

Antes de responder ao amigo algumas perguntas, as velhas perguntas, apareciam na cabeça de João. Tantos paradoxos para resolver e perguntas para responder. Uma coisa de cada vez. Quando resolvessem todos os distúrbios causados pelos americanos na linha do tempo começaria o verdadeiro trabalho. "Será que teria alguém que impedisse as nossas mudanças?". Esse pensamento o fez gelar. Como se esquecesse de tudo isso olhou para o amigo e respondeu a sua pergunta com outra.

- Diga rápido. Quem descobriu o Brasil? – Perguntou João sem dar tempo de Bruno raciocinar.

- Pedro Álvares Cabral, claro. – respondeu Bruno não entendendo nada.

- Tem certeza? – Desta vez foi mais que uma pergunta. Bruno percebeu o que seu amigo estava querendo dizer.

- Humm... Agora entendi. Parece que desta vez vou ter mais trabalho que o normal. - Falou Bruno sorrindo e já pensando no trabalhão que teria.

FIM

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6 de abr de 2007

TEM CERTEZA? - CONTO

TEM CERTEZA?

PARIS – 11 DE NOVEMBRO DE 1906

Tarde da noite. O homem está revisando o que, aparentemente, é o aparelho mais importante da sua vida. Trabalhara nele durante meses de forma ininterrupta. Dia após dia e teste após teste, tudo lhe trouxera até este ponto. O teste final seria amanhã, na frente de todo mundo. Provaria a todos que o homem ganharia os céus. Voaria em sua máquina. O dinheiro do prêmio não importava. Todos aqueles que o chamaram de lunático por crer que um aparelho mais pesado que o ar pudesse levantar vôo iriam pagar. Ele os calaria e acabaria por rir em último lugar. Estava muito cansado, estivera na oficina desde quando acordara, e mesmo assim não estava com sono. Estava eufórico. Como conseguiria dormir com toda essa expectativa? Seria medo? Essas perguntas eram caladas assim que apareciam. Ele conseguiria e ninguém poderia impedir, nem seus inimigos que, sabia ele, tinham apostado grandes quantias no seu fracasso. Havia quem tivesse apostado até na sua morte, ficara sabendo para seu espanto. Mas tudo bem. Pegou uma garrafa de dentro do cofre e tomou um grande gole, como se festejasse por antecipação. Tornou a guardar a garrafa e voltou ao trabalho que havia interrompido.

Gastou mais meia hora averiguando pedaço por pedaço. Queria muito voar, mas não queria morrer. Tudo estava bem. Igualzinho ao projeto. Tirou o relógio do bolso e percebeu que já eram três da manhã. Os homens que contratara para vigiar a oficina já deveriam estar lá fora. Tirou o avental, vestiu o terno e pos seu chapéu. Antes de sair olhou para a sua criação pela última vez. Duvidava que os outros dois concorrentes conseguissem vencer essa maravilha da engenharia. Era lindo. O XIV Bis era seu orgulho. Saiu, fechando e trancando a porta atrás de si. Acenou para os três homens que estavam na frente da porta principal da oficina. O seu aparelho só conseguiria sair por ali. Lembrou que teria que passar na casa do relojoeiro para pegar a sua encomenda. Sorriu ao lembrar da cara do homem quando foi encomendado um relógio que pudesse ser fixado no pulso. Pensaria nisso depois. Agora iria para casa tentar dormir.

Após o homem fechar a porta uma figura vestida de preto saiu de trás de uma caixa e olhou em volta. Apesar de escuro ele estava enxergando muito bem graças as suas lentes para visão noturna bi polarizadas. Caminhou até o projeto que se encontrava em cima da mesa e, após tirar um aparelho de seu cinto, bateu uma foto. Em seguida fez alguns ajustes e apertou um botão. De repente uma imagem tridimensional da figura se formou na sua frente, nesta figura apareceram algumas marcas na cor vermelha. Elas eram seu alvo. Caminhou até o protótipo e tentou localizar os locais que estavam marcados na imagem que acabara de ver. Após localizar três destes pontos fez micro fissuras na superfície com seu pequeno laser, pequenos arranhões, quase invisíveis, que após serem expostas a grande tensão se romperiam. Com esses pequenos danos provocados esse aparelho poderia até decolar, mas cairia em seguida. Contente com o trabalho ele caminhou em direção a uma das paredes da oficina e começou a falar, aparentemente para ninguém.

- Trabalho concluído, podem me levar de volta, câmbio! - após falar esta frase, em voz baixa para não ser ouvido, começou a sentir sua pele formigar. Essa não era a sua primeira viagem, mas mesmo assim nunca se acostumara ao fluxo cronal. O formigamento foi aumentando até se tornar quase insuportável. Felizmente toda essa ação não durou mais que alguns segundos. Finalmente o homem, de forma quase mágica, desapareceu.

A oficina, durante alguns instantes, ficou completamente vazia.

Depois de alguns segundos após o desaparecimento do primeiro homem uma outra figura saiu de trás de outra caixa. Ela usava um traje parecido com o que o outro homem usava. Caminhou vagarosamente até a janela e pegou uma pequena caixa que havia deixado ali mais cedo. Apertou um pequeno botão e outra figura se formou a sua frente, desta vez era a gravação tridimensional de tudo que o primeiro homem havia feito. Prestou bastante atenção nas partes que ele havia alterado e, com o que parecia uma pequena caneta, começou a consertar as partes danificadas usando um tipo de adesivo em forma de gel transparente que se solidificava em contato com o ar. O reparo feito ficou invisível. "Talvez alguém com um microscópio e sabendo o que procurar achasse alguma coisa", pensou, "mas acho que aqui não tem nada disso". Deu um sorriso surpreso com o que acabara de pensar.

Não falou com ninguém como a primeira figura fizera, girou o botão que ficava na parte da frente de seu cinto e após um leve zumbido sumiu como o outro homem antes dele.

Nas semanas seguintes o mundo inteiro ficaria sabendo que um homem havia conseguido voar num aparelho com propulsão própria e mais pesado que o ar. Um brasileiro morador de Paris, chamado Alberto Santos Dumont.

PEARL HARBOR – 28 DE AGOSTO DE 2051

- Então, você acha que desta vez deu certo? – perguntou Paul, o homem que acabara de voltar do passado em uma outra tentativa de alterá-lo, falando com um dos outros trinta cientistas que trabalhavam atualmente no Projeto Kronos, o nome dele era Dr. Ortiz, responsável pelo projeto. Eles estavam num antigo porta aviões da marinha americana, aliás, todo o grande navio era uma grande máquina, uma gigantesca máquina do tempo. Todo o corpo de cientistas e engenheiros estavam lá, incomunicáveis há mais de três meses com o objetivo de provar que era possível alterar a história. Afinal eles haviam viajado e interagido com pessoas de épocas diferentes, no começo com zelo e depois de forma desleixada, de certa forma até irresponsável, percebendo que, por mais que se fizessem alterações elas não surtiam efeito na realidade. Para frustração de todos.

- Vamos ver. – respondeu Ortiz, depois completando. - Matematicamente é possível, aliás o impossível é não haver alterações. Vamos começar...

- Atenção, atualização cronal em T menos 10 segundos. – falou no microfone enquanto digitava alguns comandos no computador. - 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1... Zero. - continuou, de forma quase mecânica.

Um zumbido partiu dos geradores do barco, todos os tripulantes sentiram um leve formigamento que durou aproximadamente três segundos, era o tempo necessário para que a realidade fosse alterada pelas mudanças feitas no passado, pelo menos em teoria. Este local, protegido pela bolha temporal, permaneceria imutável para qualquer mudança. Após esse tempo o ruído dos geradores foi diminuindo aos poucos até que cessou por completo.

- Quer ter as honras? – perguntou Ortiz a Paul. Paul pegou o celular e fez uma ligação. Esperou um pouco até que o atenderam. Uma moça com uma voz bastante simpática.

- Alo! – falou de forma natural a moça assim que atendeu ao telefone.

- Oi, somos de KYB 190, a rádio do rock, você foi sorteada para a nossa promoção, responda a pergunta e ganhe um prêmio, isso mesmo, prêmio... Hum hum! Pronta? Quem voou pela primeira vez em um avião? – Havia feito isso antes muitas vezes, mesmo não dando certo anteriormente esta era a parte mais divertida.

- Tem certeza? Muito bem... - desligou o celular de forma brusca. Olhou para Ortiz, que já estava com a ansiedade estampada no rosto.

- E aí? Desta vez deu certo?- falou tão rápido que algumas gotas de baba voaram pela sua boca.

- Não, ainda é Santos Dumont.- após uma breve pausa continuou. – Olha, vamos desistir. Diremos aos militares que é impossível e... – Ortiz não deixou que ele completasse e continuou respondendo.

- É possível. As equações estão certas! – Continuou com a voz ainda mais alta – Temos a tecnologia e os cérebros, só precisamos de outra semana para descobrir onde estamos errando. Na próxima vez dará certo... Escute o que estou dizendo. Nos temos o poder para mudar o mundo. – Falou gritando, da mesma forma que falara nas vezes anteriores. Paul não falou mais nada, ele sabia que não adiantaria discutir.

FERNANDO DE NORONHA – 29 DE MAIO DE 2057

- Como foi? – Perguntou João ao recém chegado que aparecera quase que do nada, só seguido de um zumbido baixo que vinha do seu cinto.

- No que dependeu de mim Santos Dumont ainda é o "pai da aviação". Puta merda, esses caras não desistem?- Falou com nítido rancor.

- Olha. – Continuou João falando para Bruno, que agora já estava sem a mascara e se despindo do traje preto. – Está quase acabando. Historicamente eles tentam mais umas três vezes e desistem. Então o Sr. Abravanel usará parte da sua fortuna para comprar o equipamento destruído pelo Dr. Ortiz depois do acesso de loucura pelo fracasso. Nós reformaremos, corrigiremos algumas falhas e aprimoraremos o equipamento. Você sabe, estava lá. Foi sorte termos errado na primeira montagem e ele ter começado a mostrar passados que pensamos serem falsos. Você lembra de como descobrimos que o passado estava sendo alterado? – perguntou sorrindo.

- Claro, estava junto de você. - respondeu Bruno. - Nem percebíamos que nosso presente era diferente de como deveria ser. Então passamos a corrigir todas as alterações. Ainda bem que está acabando. Você disse mais três. Qual é a próxima? – Perguntou já se acostumando com a idéia de viajar novamente.

Antes de responder ao amigo algumas perguntas, as velhas perguntas, apareciam na cabeça de João. Tantos paradoxos para resolver e perguntas para responder. Uma coisa de cada vez. Quando resolvessem todos os distúrbios causados pelos americanos na linha do tempo começaria o verdadeiro trabalho. "Será que teria alguém que impedisse as nossas mudanças?". Esse pensamento o fez gelar. Como se esquecesse de tudo isso olhou para o amigo e respondeu a sua pergunta com outra.

- Diga rápido. Quem descobriu o Brasil? – Perguntou João sem dar tempo de Bruno raciocinar.

- Pedro Álvares Cabral, claro. – respondeu Bruno não entendendo nada.

- Tem certeza? – Desta vez foi mais que uma pergunta. Bruno percebeu o que seu amigo estava querendo dizer.

- Humm... Agora entendi. Parece que desta vez vou ter mais trabalho que o normal. - Falou Bruno sorrindo e já pensando no trabalhão que teria.

FIM

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