28 de abr de 2007

O LEILÃO DE ANTIGUIDADES DE MADAME LUFFREY - CONTO

Infelizmente não sei de quem é esse argumento, foi me enviado por e-mail, quando descobrir eu darei os devidos créditos. Tentei dar minha visão pessoal da história. Divirtam-se.


O LEILÃO DE ANTIGUIDADES DE MADAME LUFFREY


A noite estava chuvosa. Numa esquina próxima ao famoso hotel Grand Splendore uma figura olha para o relógio. “São 23:35. Quase na hora...”, pensa sem se preocupar com a chuva que teima em cair. Seu nome é Johannes. Aperta firme a alça da bolsa, dentro dela está uma pequena fortuna, todo o dinheiro que a sua pequena ordem conseguiu levantar depois que o Vaticano negou apoio nessa empreitada, e caminha em direção ao hotel. O plano parecia ser fácil, bastaria entrar no hotel, participar de um leilão e arrematar uma pequena peça antiga de origem hindu. A primeira e a segunda parte foram conseguidas sem esforço. Na verdade o convite havia sido enviado ao Prior de sua ordem por um colecionador de relíquias católico, aliás, a carta que seguira junto com o convite foi tema de discussão dos superiores por mais de uma semana. Até aí tudo bem, agora a terceira seria o problema. Não se tratava de uma peça qualquer, mas de uma relíquia muito antiga e valiosa. Segundo informações viriam pessoas do mundo todo para tentar obter tal peça. Um pequeno amuleto cujo nome original havia se perdido com o tempo. Atualmente esse amuleto, único, era chamado de Visão de Naraka. Dizia a lenda que quem o possuísse poderia ver o Inferno. Mas a realidade era outra, e ainda mais aterradora. O possuidor poderia ver e chegar ao Inferno, pois ,seguido de certos rituais, o amuleto poderia abrir uma passagem entre os planos. Claro que tudo isso poderia ser uma lenda, mas a Ordem de São Martheus não estava disposta a correr esse risco.

A primeira coisa que o jovem monge notou foi a grande quantidade de carros que estavam chegando. Todos de luxo. A medida que se aproximava do hotel a chuva foi finalmente passando e as figuras que se amontoavam na entrada puderam fechar os guardas chuvas. Ao olhar contou mais de cinqüenta carros. O que dava mais de duzentas pessoas no leilão. Esperou do lado de fora enquanto os convidados iam entrando aos poucos. A grande maioria gente normal. O que o preocupou foram as auras negras e escarlates. Exatas 25 desde que havia chegado. Essas habilidades, de enxergar e interpretar as auras e algumas outras úteis ou não, havim garantido a ele a importante missão de hoje. Órfão desde criança, fora criado pela ordem desde então, hoje não saberia dizer se seu poder era latente ou se fora aprendido nos anos de clausura. Não importava. O importante era que aquelas auras eram perigosas, e ele teria que tomar todo o cuidado com elas.

Quando todos haviam entrado ele caminhou em direção a porta, passou pelo hall e olhou em volta. Encontrou o que procurava. Uma placa de cor escura onde estava escrito “Salão Royal – esta noite - Leilão de Antiguidades de Madame Luffrey” em letras douradas. Na frente um homem grande, porém comum, recepcionava os convidados. Johannes se aproximou e entregou o seu convite. O homem sorriu e fez um sinal para que ele entrasse. Aura amarela com pontos pretos, possivelmente câncer, aquele homem deveria parar de fumar. Como de costume não comentou nada. Sempre via as doenças nas pessoas e os anos haviam lhe mostrado que elas não queriam saber de nada ruim. Agradeceu e entrou no salão. Ele estava certo. Eram 25 espalhados pelo salão em diversos pontos. Concentrou-se e tentou encontrar um padrão nos lugares das auras. Nada. Eles estavam separados. Fosse qual fosse o motivo cada uma daquelas auras não havia planejado nada com as outras. Eram 3 vampiros, 5 magos menores, 2 magos poderosos e o restante eram humanos de coração negro, possivelmente satanistas. Bucha de canhão nas batalhas espirituais que eram travadas todos os dias, podres desgraçados que acreditavam que os demônios poderiam ajudar. “Coitados, se eles soubessem o que eu sei...”, pensou por um instante. Procurou um lugar no fundo do salão onde poderia ter uma visão bastante privilegiada das ações daqueles 25. Acabou encontrando. Na última fileira, bem no centro havia um lugar. Passou pelas pessoas, todas comuns, da fileira, pegou a tabuleta de lances de cima da cadeira e finalmente sentou. Aquilo que ele queria seria o último objeto a ser leiloado. Nesse meio tempo teria que meditar no que faria caso perdesse nos lances para alguém.

Não demorou muito e exatamente à meia noite as portas do salão foram fechadas e uma senhora idosa caminhou para o palco. Deveria ser a famosa Madame Luffrey. Ela era vistosa e estava muito bem vestida. Naquele palco a idade dela era indefinida, corria o boato que ela deveria ter mais de 100 anos. Ninguém sabia ao certo. O monge sorriu ao pensar que o boato poderia ser verdadeiro.

- Boa noite para todos.- foi falando assim que conseguiu segurar o microfone. – Todos vocês foram convidados para o leilão anual. Eu passo o ano todo correndo o mundo atrás de artigos de colecionadores particulares que, de um jeito ou de outro, possuem peças únicas de temas esotéricos. Os convenço a se desfazerem de parte de suas coleção em troca de uma substancial quantia de dinheiro e trago todas para cá, uma vez por ano. Vamos começar com a caneta tinteiro da famosa Madame Blavatski...

“Essa noite vai ser longa.”, pensou Johannes se mexendo na cadeira. “Serão 30 peças a serem leiloadas nesta noite. Se cada uma for vendida em 5 minutos só sairei daqui por volta das 3” . Não havia dormido durante o dia, havia rezado e se purificado durante todo o tempo. Achou melhor meditar e só despertar depois de umas 2 horas.

Foi o que fez.

Enquanto o jovem monge meditava as peças iam sendo vendidas uma a uma. A cada lance vencedor o recinto ia se esvaziando mais e mais. Depois de 2 horas só haviam umas 40 pessoas no salão. Ao sair do transe Johannes percebeu que de sua fileira só havia ele. Olhou para os demais participantes e notou que todos os 25 iniciais estavam ali. Era mau. Isso queria dizer que estavam lá pelo mesmo motivo que ele. Os lances do Cristal Azul de Saint Germain já estava em 7 milhões de dólares. A próxima peça era o motivo de sua estada neste lugar.

De cima do palco Madame Luffrey continuava a incentivar os interessados.

- Ouvi 7 milhões e meio? 7 milhões dou-lhe uma...- entusiasmava os presentes.

Notou o possível comprador do cristal. Era um famoso cantor de rock. Com certeza ele não sabia o que aquele cristal podia fazer. Johannes lembrou da lenda e tremeu um pouco, mas não estava ali para julgar. Aquele pobre músico teria sua saúde drenada pouco a pouco, dia após dia. Em toda a existência conhecida do cristal nunca o possuidor havia vivido mais que dois anos. “Pena, parecia ser uma pessoa legal.”, pensou consigo. Seus pensamentos foram cortados pelo anúncio do vencedor.

- Dou-lhe 3! Vendido para o cavalheiro número quarenta e sete pela quantia de 7 milhões. – falou a senhora encerrando aquela disputa.

Enquanto o cristal era recolhido para a posterior entrega, o músico ia se retirando e levando consigo uma parte dos convidados remanescentes. Sobraram no salão, além do monge, todas as 25 auras perigosas e cinco humanos normais. Era agora. O amuleto estava sendo levado para o palco. Ele foi colocado em cima do pedestal que se encontrava no centro do palco, ao lado da senhora.

- Muito bem senhores. Todas as senhoras já foram. - completou a madame brincando. Ninguém riu. - Agora o verdadeiro jogo começa. Se vocês ficaram aqui até agora sabem do valor inestimável desta peça. Tratasse da Visão de Naraka, o famoso amuleto milenar hindu. Não vou entrar em detalhes, todos vocês sabem do que se trata. Lance inicial de 10 milhões. Quem dá mais? – completou.

Finalmente o leilão havia iniciado para Johannes.

O plano era ficar quieto e esperar que os lances rareassem, assim teria que enfrentar apenas um interessado. Usaria parte de seu poder para fazer os normais e alguns satanistas desistirem da compra. Os magos e vampiros eram imunes a este dom. Concentrou-se em um por um e, aos poucos, conseguiu que 15 desistissem. Estava ficando tonto, não podia continuar. Sobraram 15 e com esses teria que jogar.

- 14 milhões para o cavalheiro de número 138. – o leilão continuava. Eram 13 agora na disputa. Ele teria que esperar até o momento certo.

- 25 milhões. – quem falava era um homem idoso que até o momento havia ficado quieto.

- Eu ouvi 26 milhões? – perguntava Madame Luffrey, com um sorriso malicioso nos lábios.

- 35 milhões! – respondeu a pessoa que havia dado o primeiro lance.

Os lances foram aumentando cada vez em maior proporção. A cada aumento rsubstancial uma pessoa desistia até que só sobraram 2. Os lances estavam na casa das centenas de milhões. Era agora. Johannes impostou a voz e disse firmemente:

- 2 bilhões de dólares americanos.

- Nossa! Eu ouvi 2 bilhões e 100 mil? – até a famosa leiloeira havia se surpreendido. Se recompôs e então continuou.- Ninguém? 2 bilhões dou-lhe uma...

Pode sentir o ódio do homem de sobretudo preto. Ele havia dado o último lance e não esperava ser batido.

-... Dou-lhe 3! Vendido para o número 28. – decretou a leiloeira entusiasmada.

Após sua vitória Johannes caminhou por entre as cadeiras em direção ao palco. Nesse caso a entrega seria feita no ato, contra pagamento. Quase todos já haviam deixado a salão. Só restaram Madame Luffrey, um empregado e 10 auras pesadas. Entregou sua bolsa para o coletor e após alguns segundos recebeu uma pequena caixa com tampa de vidro com o medalhão encaixado no seu interior. Agradeceu de forma simples e se encaminho em direção a saída do salão.

Estava quase chegando á porta quando ouviu a vós da mulher atrás de si.

- Que palhaçada é essa? Cadê o dinheiro? – gritou a velha nervosamente apontando para ele.

Seu engodo havia sido descoberto. O monge havia acreditado muito nos seus poderes e havia criado uma pequena ilusão de notas de dólares na bolsa. Sua ordem só havia conseguido 100 mil. Arriscou enganar o coletor, pois tinha certeza que ele era um normal. “Estranho Madame Luffrey ter notado.”, pensou antes de ser dominado com violência pelas pessoas na sala. Sabia o que iria acontecer e aceitou seu destino resignado. Todas as pessoas na sala queriam bater nele. E todos conseguiram. Johannes foi espancado até a morte. Um dos dois vampiros quebrou o seu pescoço e só não sugou o seu sangue porque viu o crucifixo que o monge trazia no pescoço e ficou enojado.

- Quem esse imbecil pensava que era. – Madame Luffrey não parecia tão boazinha agora. – Jogue o corpo do miserável num canto e vamos começar novamente. - sentenciou.

Todos voltaram para seus lugares ignorando o corpo caído do jovem monge e o leilão começou novamente.

Ninguém percebeu quando os pulmões de Johannes voltaram a funcionar e seu pescoço voltou para o lugar com um estalo. Em segundos seus ossos foram calcificados de forma perfeita e então ele se levantou. O corpo era do monge. A voz não era mais.

-Quem ele pensava que era? Foi essa a pergunta que você fez seu insignificante? -essa voz era poderosa e parecia preencher todo o ambiente. Em tom inquisidor o monge continuou.

- Eu não podia intervir. Vocês têm o livre arbítrio, eu não. Eu achei mesmo que o monge conseguiria. Dei parte do meu poder para ser usado de forma consciente quando ele ainda era criança para que se algo assim acontecesse ele pudesse resolver sozinho. - continuou tocando no próprio corpo como se quisesse se acostumar com ele.

Na sala ninguém falava nada. A voz era tão amedrontadora que todos estavam paralisados.

- Vocês acharam mesmo que Ele deixaria que possuíssem algo tão poderoso? – perguntou sem aguardar nenhuma resposta. - E você? Pensa que não sei quem é realmente?- agora se dirigindo à leiloeira.

Nessa hora um dos vampiros tomou coragem e pulou em cima do monge. Este apontou um dedo para interceptá-lo e o vampiro foi desintegrado por um raio de luz.

- Idiotas. Todos vocês. Seres medíocres e insignificantes. Esta mulher é só uma casca já morta há muitos anos. Lúcifer só tomou o corpo dela emprestado para conseguir a chave e alguém que abrisse a porta. Teria que encontrar um bando de imbecis prontos pra fazer isso e realmente encontrou. Por terem matado meu hospedeiro eu sentencio vocês todos à morte. Da forma mais lenta possível. – um clarão foi irradiado do seu corpo e começaram a aparecer pústulas por todo o corpo dos presentes. Elas aumentariam até que só sobrasse carne deteriorada. Demoraria uns 10 minutos e doeria muito. Pareceria uma eternidade para eles.

- Quanto a você, Lúcifer. – falou encarando a mulher.

- Eu o que Gabriel? Vai fazer o que? Mandar-me para o inferno? Eu já estou lá. –Começou a rir de forma zombeteira. – Parabéns, não senti sua presença no monge. A ligação de vocês deve sem bem forte. - completou rindo mais alto ainda.

- Claro que não. Não farei nada com você. Com você não. Esqueceu que eu sei que esse artefato torna possível você tomar corpos de pessoas nesse plano. - falava ao mesmo tempo que esmagava com as próprias mãos a peça que Johannes havia vindo buscar. – Boa estadia no seu reino... Que ela seja longa...

- Nãooooooo...- a garganta do que era Madame Luffrey soltou um último grito antes de cair no chão como uma casca. Em segundos foi se deteriorando até que virou pó.

Johannes olhou em volta por uma última vez e viu o que restava daqueles pobres miseráveis. Suas gargantas haviam desaparecido. Agora se contorciam de dor sem poder mais gritar. O processo deveria estar na metade, faltava pouco para acabar. Infelizmente haviam muitos mais desses idiotas perigosos pelo planeta e muitos artefatos que Lúcifer poderia ainda usar. Só que agora era tarde. Seu hospedeiro havia morrido e nenhum de seus poderes poderia mudar isso. Chorou por Johannes. O monge dera a vida por esse plano. E ele nada pode fazer. De repente olhou para cima e as lágrimas secaram.

- Sim Senhor, como quiser. - falou com entusiasmo. Só Ele poderia interceder nesse caso, e isso foi feito.

Correu para fora do prédio, já era dia. Fechou os olhos e caiu desmaiado na calçada. Quando Johannes acordasse se lembraria apenas de parte dessa noite. O bastante para garantir para seus superiores que o amuleto havia sido destruído. Ele havia permitido que Gabriel dividisse aquele corpo com o jovem monge para ajudá-lo. Um dia o monge saberia o que havia acontecido com ele, mas não hoje. Havia muito mal espalhado pelo mundo, muitas batalhas a serem enfrentadas. E os dois fariam tudo isso juntos.

FIM

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28 de abr de 2007

O LEILÃO DE ANTIGUIDADES DE MADAME LUFFREY - CONTO

Infelizmente não sei de quem é esse argumento, foi me enviado por e-mail, quando descobrir eu darei os devidos créditos. Tentei dar minha visão pessoal da história. Divirtam-se.


O LEILÃO DE ANTIGUIDADES DE MADAME LUFFREY


A noite estava chuvosa. Numa esquina próxima ao famoso hotel Grand Splendore uma figura olha para o relógio. “São 23:35. Quase na hora...”, pensa sem se preocupar com a chuva que teima em cair. Seu nome é Johannes. Aperta firme a alça da bolsa, dentro dela está uma pequena fortuna, todo o dinheiro que a sua pequena ordem conseguiu levantar depois que o Vaticano negou apoio nessa empreitada, e caminha em direção ao hotel. O plano parecia ser fácil, bastaria entrar no hotel, participar de um leilão e arrematar uma pequena peça antiga de origem hindu. A primeira e a segunda parte foram conseguidas sem esforço. Na verdade o convite havia sido enviado ao Prior de sua ordem por um colecionador de relíquias católico, aliás, a carta que seguira junto com o convite foi tema de discussão dos superiores por mais de uma semana. Até aí tudo bem, agora a terceira seria o problema. Não se tratava de uma peça qualquer, mas de uma relíquia muito antiga e valiosa. Segundo informações viriam pessoas do mundo todo para tentar obter tal peça. Um pequeno amuleto cujo nome original havia se perdido com o tempo. Atualmente esse amuleto, único, era chamado de Visão de Naraka. Dizia a lenda que quem o possuísse poderia ver o Inferno. Mas a realidade era outra, e ainda mais aterradora. O possuidor poderia ver e chegar ao Inferno, pois ,seguido de certos rituais, o amuleto poderia abrir uma passagem entre os planos. Claro que tudo isso poderia ser uma lenda, mas a Ordem de São Martheus não estava disposta a correr esse risco.

A primeira coisa que o jovem monge notou foi a grande quantidade de carros que estavam chegando. Todos de luxo. A medida que se aproximava do hotel a chuva foi finalmente passando e as figuras que se amontoavam na entrada puderam fechar os guardas chuvas. Ao olhar contou mais de cinqüenta carros. O que dava mais de duzentas pessoas no leilão. Esperou do lado de fora enquanto os convidados iam entrando aos poucos. A grande maioria gente normal. O que o preocupou foram as auras negras e escarlates. Exatas 25 desde que havia chegado. Essas habilidades, de enxergar e interpretar as auras e algumas outras úteis ou não, havim garantido a ele a importante missão de hoje. Órfão desde criança, fora criado pela ordem desde então, hoje não saberia dizer se seu poder era latente ou se fora aprendido nos anos de clausura. Não importava. O importante era que aquelas auras eram perigosas, e ele teria que tomar todo o cuidado com elas.

Quando todos haviam entrado ele caminhou em direção a porta, passou pelo hall e olhou em volta. Encontrou o que procurava. Uma placa de cor escura onde estava escrito “Salão Royal – esta noite - Leilão de Antiguidades de Madame Luffrey” em letras douradas. Na frente um homem grande, porém comum, recepcionava os convidados. Johannes se aproximou e entregou o seu convite. O homem sorriu e fez um sinal para que ele entrasse. Aura amarela com pontos pretos, possivelmente câncer, aquele homem deveria parar de fumar. Como de costume não comentou nada. Sempre via as doenças nas pessoas e os anos haviam lhe mostrado que elas não queriam saber de nada ruim. Agradeceu e entrou no salão. Ele estava certo. Eram 25 espalhados pelo salão em diversos pontos. Concentrou-se e tentou encontrar um padrão nos lugares das auras. Nada. Eles estavam separados. Fosse qual fosse o motivo cada uma daquelas auras não havia planejado nada com as outras. Eram 3 vampiros, 5 magos menores, 2 magos poderosos e o restante eram humanos de coração negro, possivelmente satanistas. Bucha de canhão nas batalhas espirituais que eram travadas todos os dias, podres desgraçados que acreditavam que os demônios poderiam ajudar. “Coitados, se eles soubessem o que eu sei...”, pensou por um instante. Procurou um lugar no fundo do salão onde poderia ter uma visão bastante privilegiada das ações daqueles 25. Acabou encontrando. Na última fileira, bem no centro havia um lugar. Passou pelas pessoas, todas comuns, da fileira, pegou a tabuleta de lances de cima da cadeira e finalmente sentou. Aquilo que ele queria seria o último objeto a ser leiloado. Nesse meio tempo teria que meditar no que faria caso perdesse nos lances para alguém.

Não demorou muito e exatamente à meia noite as portas do salão foram fechadas e uma senhora idosa caminhou para o palco. Deveria ser a famosa Madame Luffrey. Ela era vistosa e estava muito bem vestida. Naquele palco a idade dela era indefinida, corria o boato que ela deveria ter mais de 100 anos. Ninguém sabia ao certo. O monge sorriu ao pensar que o boato poderia ser verdadeiro.

- Boa noite para todos.- foi falando assim que conseguiu segurar o microfone. – Todos vocês foram convidados para o leilão anual. Eu passo o ano todo correndo o mundo atrás de artigos de colecionadores particulares que, de um jeito ou de outro, possuem peças únicas de temas esotéricos. Os convenço a se desfazerem de parte de suas coleção em troca de uma substancial quantia de dinheiro e trago todas para cá, uma vez por ano. Vamos começar com a caneta tinteiro da famosa Madame Blavatski...

“Essa noite vai ser longa.”, pensou Johannes se mexendo na cadeira. “Serão 30 peças a serem leiloadas nesta noite. Se cada uma for vendida em 5 minutos só sairei daqui por volta das 3” . Não havia dormido durante o dia, havia rezado e se purificado durante todo o tempo. Achou melhor meditar e só despertar depois de umas 2 horas.

Foi o que fez.

Enquanto o jovem monge meditava as peças iam sendo vendidas uma a uma. A cada lance vencedor o recinto ia se esvaziando mais e mais. Depois de 2 horas só haviam umas 40 pessoas no salão. Ao sair do transe Johannes percebeu que de sua fileira só havia ele. Olhou para os demais participantes e notou que todos os 25 iniciais estavam ali. Era mau. Isso queria dizer que estavam lá pelo mesmo motivo que ele. Os lances do Cristal Azul de Saint Germain já estava em 7 milhões de dólares. A próxima peça era o motivo de sua estada neste lugar.

De cima do palco Madame Luffrey continuava a incentivar os interessados.

- Ouvi 7 milhões e meio? 7 milhões dou-lhe uma...- entusiasmava os presentes.

Notou o possível comprador do cristal. Era um famoso cantor de rock. Com certeza ele não sabia o que aquele cristal podia fazer. Johannes lembrou da lenda e tremeu um pouco, mas não estava ali para julgar. Aquele pobre músico teria sua saúde drenada pouco a pouco, dia após dia. Em toda a existência conhecida do cristal nunca o possuidor havia vivido mais que dois anos. “Pena, parecia ser uma pessoa legal.”, pensou consigo. Seus pensamentos foram cortados pelo anúncio do vencedor.

- Dou-lhe 3! Vendido para o cavalheiro número quarenta e sete pela quantia de 7 milhões. – falou a senhora encerrando aquela disputa.

Enquanto o cristal era recolhido para a posterior entrega, o músico ia se retirando e levando consigo uma parte dos convidados remanescentes. Sobraram no salão, além do monge, todas as 25 auras perigosas e cinco humanos normais. Era agora. O amuleto estava sendo levado para o palco. Ele foi colocado em cima do pedestal que se encontrava no centro do palco, ao lado da senhora.

- Muito bem senhores. Todas as senhoras já foram. - completou a madame brincando. Ninguém riu. - Agora o verdadeiro jogo começa. Se vocês ficaram aqui até agora sabem do valor inestimável desta peça. Tratasse da Visão de Naraka, o famoso amuleto milenar hindu. Não vou entrar em detalhes, todos vocês sabem do que se trata. Lance inicial de 10 milhões. Quem dá mais? – completou.

Finalmente o leilão havia iniciado para Johannes.

O plano era ficar quieto e esperar que os lances rareassem, assim teria que enfrentar apenas um interessado. Usaria parte de seu poder para fazer os normais e alguns satanistas desistirem da compra. Os magos e vampiros eram imunes a este dom. Concentrou-se em um por um e, aos poucos, conseguiu que 15 desistissem. Estava ficando tonto, não podia continuar. Sobraram 15 e com esses teria que jogar.

- 14 milhões para o cavalheiro de número 138. – o leilão continuava. Eram 13 agora na disputa. Ele teria que esperar até o momento certo.

- 25 milhões. – quem falava era um homem idoso que até o momento havia ficado quieto.

- Eu ouvi 26 milhões? – perguntava Madame Luffrey, com um sorriso malicioso nos lábios.

- 35 milhões! – respondeu a pessoa que havia dado o primeiro lance.

Os lances foram aumentando cada vez em maior proporção. A cada aumento rsubstancial uma pessoa desistia até que só sobraram 2. Os lances estavam na casa das centenas de milhões. Era agora. Johannes impostou a voz e disse firmemente:

- 2 bilhões de dólares americanos.

- Nossa! Eu ouvi 2 bilhões e 100 mil? – até a famosa leiloeira havia se surpreendido. Se recompôs e então continuou.- Ninguém? 2 bilhões dou-lhe uma...

Pode sentir o ódio do homem de sobretudo preto. Ele havia dado o último lance e não esperava ser batido.

-... Dou-lhe 3! Vendido para o número 28. – decretou a leiloeira entusiasmada.

Após sua vitória Johannes caminhou por entre as cadeiras em direção ao palco. Nesse caso a entrega seria feita no ato, contra pagamento. Quase todos já haviam deixado a salão. Só restaram Madame Luffrey, um empregado e 10 auras pesadas. Entregou sua bolsa para o coletor e após alguns segundos recebeu uma pequena caixa com tampa de vidro com o medalhão encaixado no seu interior. Agradeceu de forma simples e se encaminho em direção a saída do salão.

Estava quase chegando á porta quando ouviu a vós da mulher atrás de si.

- Que palhaçada é essa? Cadê o dinheiro? – gritou a velha nervosamente apontando para ele.

Seu engodo havia sido descoberto. O monge havia acreditado muito nos seus poderes e havia criado uma pequena ilusão de notas de dólares na bolsa. Sua ordem só havia conseguido 100 mil. Arriscou enganar o coletor, pois tinha certeza que ele era um normal. “Estranho Madame Luffrey ter notado.”, pensou antes de ser dominado com violência pelas pessoas na sala. Sabia o que iria acontecer e aceitou seu destino resignado. Todas as pessoas na sala queriam bater nele. E todos conseguiram. Johannes foi espancado até a morte. Um dos dois vampiros quebrou o seu pescoço e só não sugou o seu sangue porque viu o crucifixo que o monge trazia no pescoço e ficou enojado.

- Quem esse imbecil pensava que era. – Madame Luffrey não parecia tão boazinha agora. – Jogue o corpo do miserável num canto e vamos começar novamente. - sentenciou.

Todos voltaram para seus lugares ignorando o corpo caído do jovem monge e o leilão começou novamente.

Ninguém percebeu quando os pulmões de Johannes voltaram a funcionar e seu pescoço voltou para o lugar com um estalo. Em segundos seus ossos foram calcificados de forma perfeita e então ele se levantou. O corpo era do monge. A voz não era mais.

-Quem ele pensava que era? Foi essa a pergunta que você fez seu insignificante? -essa voz era poderosa e parecia preencher todo o ambiente. Em tom inquisidor o monge continuou.

- Eu não podia intervir. Vocês têm o livre arbítrio, eu não. Eu achei mesmo que o monge conseguiria. Dei parte do meu poder para ser usado de forma consciente quando ele ainda era criança para que se algo assim acontecesse ele pudesse resolver sozinho. - continuou tocando no próprio corpo como se quisesse se acostumar com ele.

Na sala ninguém falava nada. A voz era tão amedrontadora que todos estavam paralisados.

- Vocês acharam mesmo que Ele deixaria que possuíssem algo tão poderoso? – perguntou sem aguardar nenhuma resposta. - E você? Pensa que não sei quem é realmente?- agora se dirigindo à leiloeira.

Nessa hora um dos vampiros tomou coragem e pulou em cima do monge. Este apontou um dedo para interceptá-lo e o vampiro foi desintegrado por um raio de luz.

- Idiotas. Todos vocês. Seres medíocres e insignificantes. Esta mulher é só uma casca já morta há muitos anos. Lúcifer só tomou o corpo dela emprestado para conseguir a chave e alguém que abrisse a porta. Teria que encontrar um bando de imbecis prontos pra fazer isso e realmente encontrou. Por terem matado meu hospedeiro eu sentencio vocês todos à morte. Da forma mais lenta possível. – um clarão foi irradiado do seu corpo e começaram a aparecer pústulas por todo o corpo dos presentes. Elas aumentariam até que só sobrasse carne deteriorada. Demoraria uns 10 minutos e doeria muito. Pareceria uma eternidade para eles.

- Quanto a você, Lúcifer. – falou encarando a mulher.

- Eu o que Gabriel? Vai fazer o que? Mandar-me para o inferno? Eu já estou lá. –Começou a rir de forma zombeteira. – Parabéns, não senti sua presença no monge. A ligação de vocês deve sem bem forte. - completou rindo mais alto ainda.

- Claro que não. Não farei nada com você. Com você não. Esqueceu que eu sei que esse artefato torna possível você tomar corpos de pessoas nesse plano. - falava ao mesmo tempo que esmagava com as próprias mãos a peça que Johannes havia vindo buscar. – Boa estadia no seu reino... Que ela seja longa...

- Nãooooooo...- a garganta do que era Madame Luffrey soltou um último grito antes de cair no chão como uma casca. Em segundos foi se deteriorando até que virou pó.

Johannes olhou em volta por uma última vez e viu o que restava daqueles pobres miseráveis. Suas gargantas haviam desaparecido. Agora se contorciam de dor sem poder mais gritar. O processo deveria estar na metade, faltava pouco para acabar. Infelizmente haviam muitos mais desses idiotas perigosos pelo planeta e muitos artefatos que Lúcifer poderia ainda usar. Só que agora era tarde. Seu hospedeiro havia morrido e nenhum de seus poderes poderia mudar isso. Chorou por Johannes. O monge dera a vida por esse plano. E ele nada pode fazer. De repente olhou para cima e as lágrimas secaram.

- Sim Senhor, como quiser. - falou com entusiasmo. Só Ele poderia interceder nesse caso, e isso foi feito.

Correu para fora do prédio, já era dia. Fechou os olhos e caiu desmaiado na calçada. Quando Johannes acordasse se lembraria apenas de parte dessa noite. O bastante para garantir para seus superiores que o amuleto havia sido destruído. Ele havia permitido que Gabriel dividisse aquele corpo com o jovem monge para ajudá-lo. Um dia o monge saberia o que havia acontecido com ele, mas não hoje. Havia muito mal espalhado pelo mundo, muitas batalhas a serem enfrentadas. E os dois fariam tudo isso juntos.

FIM

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